27.9.08

A Grogan,


*John Grogan (Detroit, 20 de março de 1957) é um jornalista e escritor estadunidense. Já era conhecido nos EUA por suas colunas, mas ficou conhecido no mundo todo pelo seu best-seller Marley & Eu (2005).

Você me inspirou bastante falando de uma espécie animal que é fundamental nas nossas vidas, e que muitas vezes, por nossa ingratidão se tornam esquecidos ou parecem menos importantes. E de modo que eu lia em seu livro a descrição de Marley, vi que não estava sozinha na responsabilidade de educar, não um mero animal, mas um dos meus melhores amigos, me senti entendida e não vou negar que também senti pena de você, porque eu tenho um poodle com alma de labrador, o que me fez lucrar com os desastres que ele não causou devido ao seu tamanho.

Quando eu ganhei meu primeiro poodle com alma de labrador, Doug, ele era extremamente fofo, e eu extremamente permissiva,com o tempo eu fui criando mais rigidez para poder educá-lo de uma maneira digna, tentei o máximo que pude, porém eu naufraguei em quase todas tentativas e aqui está meu poodle com 10 anos entendendo muito pouco sobre disciplina.

No passar da sua vida ele já se metera por tantas enrascadas que é até difícil contar todas. Quando filhote era costume fugir, uma vez foi tão longe que o encontramos nos braços de um padre de uma igreja de outro bairro, outra fugiu e ao atravessar a rua um ônibus vinha em sua direção, fechei os olhos pra não ver o que ia acontecer, o desfecho parecia trágico, mas o motorista de lá de cima freou em cima da minha minúscula bolinha de pêlos brancos.

Quando adolescente enquanto construíamos nossa nova casa, ele ficou confinado na casa da minha bisavó, que chegava a parecer uma pequena granja com galinhas, cochos, terreiros, poleiros e tudo que se tem direito. Ele fazia uma festa e o meu pequeno poodle branco, já não era mais tão branco assim, ele entrava dentro dos cochos todos enlodados, enfiando o nariz na água e andando em círculos, aliás correndo em círculos, quando finalmente parava, creio que já tonto, estava todo encharcado e sujo de lodo e tinha uma terrível mania de perseguir as galinhas e corria freneticamente atrás de cada uma delas, logo ganhou o apelido de bodinho.Definitivamente sua estadia lá custou o juízo da minha tia, da minha bisavó e pior, dos cachorros dela, pela sua incompatibilidade com outros animais.

Depois de voltar ao lar, ele teve então devolvido todos seus mimos que eu e minha mãe tínhamos acostumado-o como: tomar banho no chuveiro de água quente, dormir no tapete do lado da cama, comer porções enorme de comida com direito a repetição...uma vida de reizinho tudo em troca da sua eterna alegriazinha.Lembro que minha brincadeira preferida era deitar no chão e esperar ele vir com o seu rabinho balançando para morder meus pés e bagunçar meu cabelo, ele foi um dos poucos amigos que eu tive durante a minha infância.

Mas voltando para suas aventuras, já mais crescidinho e em sua nova casa, certa vez a empregada foi regar as árvores da calçada de casa e deixou o portão aberto, uma ótima oportunidade para ele sair e fazer xixí em toda rua, e foi o que ele planejava fazer se não fosse por um enorme rotwaller estar na calçada vizinha, quando ele saiu com seu espírito de lutador de boxe, ou sei lá o que ele imagina que seja, só tenho certeza que ele n se vê como um poodle com menos de 50 cm e 5 quilos, foi então correndo de encontro ao enorme vizinho latindo e ladrando, a empregada em vez de me chamar, esperou o acontecido acontecer, Doug foi mordido duas vezes pelo grandão. Quando eu ouvi os latidos furiosos fui correndo ver como se já pressentisse alguma coisa, mas quando eu sai ao portão era tarde demais, entrei em pânico ao ver meu cachorro sangrando, liguei pro meu pai imediatamente, ele não demorou a chegar e me levar para o veterinário, que nos atendeu prontamente.Raspou o pêlo ao redor do corte, para visualizar o tamanho dos estragos, eram dois cortes: um na barriga e um no pescoço, a largura não era um problema mas a profundidade sim. O médico examinou fez uma cara estranha e virou para me falar:

- Vamos fazer uma sutura e fechar os dois cortes, porém há risco de ter perfurado algum órgão e se isso ocorrer, será necessária uma cirurgia muito cara que poderá arriscar a vida do cão.

Gelei, fiquei azul, branca, de toda cor, nem respondi, meus olhos encheram d’água e ele pediu pra assistente me tirar da sala, chegando lá fora permaneci calada, mas chorar era inevitável. Me debulhei em lágrimas, pensava que ainda era tão cedo para perder meu pequeno amiguinho. Depois de meia hora ele passou alguns remédios e me deixou levá-lo para casa para acompanhar se ele se recuperava ou não.

Foram dias longos dando soro de dez em dez minutos a Doug, dando remédio e vendo os pontos se fecharem com certa dificuldade, o da barriga era o mais complicado, porque ele insistia em lamber, o levamos ao veterinário de novo e Doug pela sua saliência foi obrigado a usar uma pescoceira, que não lhe caia nada bem. Por outro lado esse acidente fez nossa família mais unida, até meu pai que não assumira até então que gostava de cachorros se solidarizou com o frágil e esperto Doug, conforme se passaram semanas, Doug foi melhorando gradativamente, logo estava correndo e latindo e graças a Deus não houve perfuração aparente,ufa que alívio.

E todo dinheiro e cuidado foram recompensado quando chegávamos e ele vinha com as patinhas estendidas em nosso colo, com aquele rabinho levantado eternamente balançando, com aquela cara divertida que só ele têm.

Até agora em sua velhice Doug ainda apronta muito: morde crianças, faz xixi no tapete, caça lagartixas, corre na chuva.Nada durante todos esses anos apagou seu eterno brilho esfuziante de filhote elétrico,espero que ele ainda me dê alguns trabalhos, pois a vida sem ele seria muito sem graça, ele é um dos poucos que me entende quando eu choro sem motivo e sempre por mais nervosa que eu possa estar ele só queria ficar ao meu lado. Ahh Doug como eu sou grata a você.



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