24.6.10

Retrospectiva 2009/2010

A três dias do meu aniversário nada como uma retrospectiva dos meus tão sonhados 18 anos.
Mais uma vez sonhava que ia ser um Oasis, ia ter passe livre pra qualquer aventura e mais uma vez me enganei. Depois do meu aniversario de 18 anos tive uma crise de abstinência aguda, abstinência da vida. Sim, passei metade dos meus reles 18 anos trancada em casa,comendo as paredes e sendo devorada pelo tédio.
Então, tirei os últimos seis meses para despirocaçao total. Sim, me alforriei e provei a mais insana liberdade. E quer saber ? Não foi tão legal assim, total free, não é o meu estilo. Sou uma menininha boba tocadora de piano, meus 18 anos enclausurada me fizeram assim, apreciadora do silêncio, da morbidez, do calor das coisas. Tem coisas que nunca mudam, eu não estou pronta pra vida, não to. Não virei adulta com 18 anos.
Resumindo, aos meus 18 anos aprendi que tenho muito a aprender e que se magoar nunca é demais quando se trata de mim. Provei os dois lados da moeda e nenhum me fez plenamente feliz. O problema não é com a vida é comigo !

over

É engraçado como as coisas são. Eu sempre acabo na cozinha ouvindo bruno e Marrone e cozinhando alguma coisa. Como eu sou previsível. E fazendo jus a toda previsibilidade suponho que logo tudo isso vai passar. E começar de novo.

Gerânio


"Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda..."


Marisa Monte

23.6.10

attraction

Se querer é poder,eu quero com todas as minhas forças... Serve ?

13.6.10

E uma risada riu na hora errada



Me dei como apaixonada quando ouvi aquela risada ecoando no meu pensamento sem parar. Me peguei perguntando mil vezes o que fazer pra vc me notar. Sabe,naquele dia em que te vi, de repente um flash de cinco segundos piscou em minha mente. Eu te olhei e vi tudo que eu sempre quis (quem me dera fosse um deja vu). Cinco segundos. Cinco segundos que poderiam ser um aviso ou um devaneio qualquer. Fiquei viajando no futuro, imaginando que se fosse, poderia ser perfeito. Poderia ser. Apostei todas minhas fichas e minha empolgação no aviso. Porém os dias reais foram passando e as engraçadas circunstâncias que me levaram à vc acabaram ficando pra trás.

Eu sei, fiz burrices&bizarrices à la vonté. Ficar ‘apaixonada’ requer prática e apesar de todo meu longo histórico romântico estou bem enferrujada nesse ramo. Logo, todo meu tato pra não te assustar foi em vão, libertei o meu monstrinho, você conheceu o meu lado mais frágil, a insegurança. Maldita vontade de ter e não possuir. Nunca me dei bem com isso, sou filha única e antigamente meus olhinhos me ajudavam mais.

Não sei se há concerto. Eu me julgo e meto os pés pelas mãos, tento não pensar no que vc está pensando, mas já é tarde demais. Isso é utopia. Queria ter um jeito pra falar, aliás mais que falar, queria te mostrar. Pegar na tua mão, entrar no meu mundo, atravessar os espelhos e te tirar do cercadinho dos banais. Mostrar que apesar de esperar muito das pessoas a gente sempre acaba subestimando a real capacidade que elas têm de nos fazer feliz. E voltar a ser eu, sem medinhos medíocres.

Porém nem todos os dias são de sol e as expectativas não fazem das coisas reais e agora o que restou, uma dor de cotovelo e uma risada ecoando, ecoando, ecoando.

7.6.10

Manifesto Antropófago


Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

5.6.10

Flashback

É verdade, não sou a mais bonita, te confesso que tb não passo nem perto da mais inteligente, nem da mais disposta, nem da que tem as melhores intenções o tempo todo. Não sou tão meiga, nem tão piedosa. Sou eu mesma com os meus defeitos que com certeza são bem mais numerosos que as minhas míseras qualidades, que tem hora que eu nem lembro quais são.
Sozinha eu sou inteira, não metade, me sustento dos meus ideais, não da vida alheia. Sempre fiz questão de ser completa, de não precisar de ninguém para ser quem eu sou. Sou o contrário, dou preferência aos impulsos invés das decisões esperadas pela maioria.
Gosto de cachorros e de fazer graça, choro por tudo, é inevitável.Tenho grandes ambições apesar do meu 1.54.Sofro por ter opinião definida sobre muita coisa, por ser crítica, por falar: ‘não é assim não’ ,ás vezes sou bem inflexível,mas sei quando dar o braço a torcer e engolir um monte de abobrinha.
E não tenho pretensão de que todos me adorem, mas gostaria muito que alguém me amasse de verdade, que me defendesse, que acreditasse em mim, que simplesmente me admirasse pelo o que eu sou e tb pelo o que não sou. E que fosse mais,mais que todas pessoas que nos cercam, bem mais que todas as opiniões mesquinhas e efêmeras, totalmente superficiais a respeito do que é amar e do que as pessoas devem ser. Só isso. :D

Ciclo Vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

- Misera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:

- Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

Machado de Assis

 
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