23.7.08




Eu andava mal acostumada, mal mesmo. Com os olhos meio sem brilho, parei de acreditar em finais felizes, coincidências e até em um grande amor.Me tornei incrédula, quase um bloco de concreto. Não era tristeza, talvez fosse uma defesa, um modo de sobreviver e não sofrer. Os dias passavam e eu não esperava coisa alguma de pessoa nenhuma, não esperava que elas fossem ruins e muito menos, boas. Só vivia e deixava os dias passarem, construindo meus planos e ignorando qualquer sentimento que pudesse vir a atrapalhá-los.
Até que então minha rotina foi interrompida. Meus olhos brilharam de novo, meu coração palpitou e eu comecei a sentir uma falta enorme de alguém, só de pensar que eu podia perdê-lo me sentia imensamente triste. E sua presença me fazia ver a vida mais bonita e mesmo inconscientemente sentia uma felicidade repentina e me esquecia do quanto eu era egoísta e do quanto eu queria ir pro lugar mais longe que eu pudesse alcançar.Voltei então a acreditar em finais felizes, coincidências e até em um grande amor.
Confesso que na maioria do tempo eu pensava que não era pra mim (amor), uma coisa assim, ás vezes clichê, mas tão difícil. E acabei querendo tanto um amor e idealizando tanto o ‘perfeito’ que me esqueci do simples, não entendia que o caminho mais próximo para o tal sentimento complexo, era a simplicidade das coisas, dos gestos, dos risos. Eu to aprendendo ainda, a olhar e não ver só os defeitos, a aproveitar o melhor de cada pessoa que passar por mim e me esforçando pra dar o meu melhor também. Tô gostando.
Me esforço agora, não para prender ninguém, mas pra devolver a alguém, a alegria que esse alguém tem me dado, junto com toda a graça, brilho nos olhos e toda aquela sensação esperança, que algo de bom pode acontecer a qualquer momento que também vieram com ele.
Pra falar a verdade é uma paixão diferente, eu me apaixonei por mim, pelos meus sonhos e também pelo jeito de alguém. Talvez ele nem tenha a noção do bem que me faz, mas mesmo assim faz, sem ver, sem querer e só de chegar já faz.
E tome o caminho que tomar, vai estar sempre aqui. E quando eu perder a esperança e a graça de novo, vou fechar os olhos e lembrar de como alguém se apoderou do meu amor,do meu carinho e deu um rumo mais colorido pra minha vida, me fez acreditar que quando a gente menos espera vem uma brisa leve, leva as mágoas e deixa a serenidade de um sentimento inexplicável.


21.7.08

Chico...

' É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário'

Viver do Amor, Chico Buarque

17.7.08

Perdidos...

Saio na rua vejo tudo, olho tudo, mas sinto um vazio, está faltando alguma coisa e não é o semáforo, nem a faixa de pedestres, nem os bancos na praça. É algo maior, é nas pessoas, elas continuam aqui, mas falta alguma coisa. Olhares insípidos me cercam e eu consigo identificar o que me incomoda, volta a olhar ao redor de novo e sem saída vejo a sociedade que estamos formando, tão superficial, tão incrédula num futuro melhor, nenhum ideal revolucionário, nenhuma vontade de mudar o mundo, o senado, nada. Nenhuma vontade de mudar coisa alguma.

Onde está aquela a efervescência dos movimentos, aquela ânsia de mudar as coisas, que todos ou pelo menos os jovens tinham antigamente. Onde estão aqueles caras de Woodstock , onde estão os caras pintadas, onde estão todos eles quando mais precisamos ?

Dissolveram-se assim como nossos valores antigos de transformação, de insatisfação diante as coisas ruins, isso não tem mais valor hoje em dia. Os valores se resumem, em valores monetários, em tudo que se pode comprar. E isso é tão lamentável, certas coisas que deviam permanecer em nossas vidas se tornaram tão efêmeras. E todo esforço que a juventude passada fez foi praticamente jogado fora, ou ignorado por nós, que permanecemos inertes de frente a uma TV e pior acreditando nela.

O conceito juventude está mudando a cada dia, éramos ‘os revolucionários’, hoje somos tidos como ‘os consumistas’. Antigamente, se lutava pela liberdade, pela independência, por grandes e complexos ideais, hoje passamos grande parte da nossa vida sem nem saber o que é isso e conseqüentemente sem dar nenhuma importância, pensando em ‘como o sofá e a comida da mamãe são tão bons’. Lutando por um corpo perfeito, ’ah sim’, lutando pra acompanhar as tendências da moda ‘e como isso cansa’.

E não era s fácil pra eles (os velhos jovens), não havia moleza, eles continuavam mesmo assim, firmes e fortes, defendendo suas ideologias, enfrentando a quem fosse por uma sociedade mais justa. Acredito que muitos dos nossos avós tem muito a contar sobre isso,porém é uma pena que não tenhamos tempo para ouvir, ‘claro que não!’ Devemos estar no shopping, no salão ou jogando aquele indispensável vídeo game muito ocupados.

Alguns até tentam mudar, falar, gritar tudo que anda engasgado, mas a compreensão que recebem são os nobres apelidos de: louco, alienado, drogado, demente, insano, ‘só que ser’, entre outros. O que não impulsiona a ninguém continuar disseminando suas idéias,o óbvio é seguir a regra do comodismo. O medo implacável de não ser que nem o de antes na fila, faz com que mesmo discordando, concordemos com toda essa desordem vivida.

É inevitável pensar em quem nós seremos no futuro, pessoas bem sucedidas financeiramente, provavelmente, porém tão vagas e vazias, repassando isso para os nossos descendentes, toda a nossa não vivência, não experiência, todo nosso comodismo e conformismo.Mas quem sabe ainda haja tempo pra voltar e resgatar aquele brilho nos olhos, aquela união, aquela inteligência e senso crítico, que nós perdemos por ai.

Hanna Luara e a cidade do medo

De longe eu a reconhecia, era sim aquela paisagem linda que eu via sempre em meus sonhos, mas num flash me senti desconsolada quando desviei o olhar e vi que antes da linda paisagem havia um enorme abismo. Tive uma sensação não muito agradável, uma vertigem com direito aos pensamentos mais tortuosos. Já estava no final do caminho, subi no alto de uma montanha, de onde eu podia observar bem, o que me esperava, ou não.

A cidade que eu tanto observara, são os meus desejos, coisas pela qual tanto lutei e o abismo são meus medos. Quando lutamos por algo somos tomados pela paixão de vencer, o que nos faz caminhar pelo caminho vendados, atravessando os obstáculos sem nem perceber. Mas quando finalmente conseguimos, as pessoas sedem a sua opinião nossas vendas caem e somos então tomados pela responsabilidade das nossas decisões, ao invés de corrermos com sede ao pódio, andamos mais devagar, com mais cautela, e observamos duvidosamente qualquer obstáculo e pensamos seriamente se vale à pena continuar a nossa jornada sozinha, ou devíamos recuar e concordar com todos.

Então minha venda caiu, eu vi a cidade na minha frente, mas vi de perto também seu abismo, fiquei em dúvida se era aquilo mesmo que eu mais queria. Deixei tudo e todos para trás, para me arriscar em um abismo. E se eu cair? E se eu não cair e conseguir? Foi à hora em que eu compreendi que cada escolha é uma renúncia e que agora eu tenho que ser mais forte do que todos que eu enfrentei para agüentar as conseqüências da minha escolha.

O vento bate nas minhas costas me lembrando de apressar minha decisão, vou em frente desço da montanha, pulo o abismo caio, ou não caio pra então chegar, ou não, na cidade, ou desço a montanha e volto pra casa sem nenhum risco de cair, mas sem nenhuma esperança de desfrutar dos prazeres da tal cidade, continuando sem respirar bons ares.
E Deus não me deu asas, mas também me poupou de certas limitações mentais.

*Luaclara disse que Deus não dá asas a cobra!

13.7.08

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...
E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...
Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...

Te amo !

para meu consolo...

"Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só."
(Florbela Espanca)

E agora o que sobrou, um filme do close pro fim...

Ás vezes me pergunto, como ser complexo que eu sou,
será que esreverei uma história de amor bem sucedida aqui ?
Por mais que eu queira, tenho uma maldição terrível de estragar
até os mais felizes contos de fada!

'iá iá se eu peco é na vontade, de ter um amor de verdade...'

eu hein!

virarei escritora de aventuras policiais,
larguei os romances...

7.7.08

Estava lembrando que um dia depois do meu aniversário é dia do orgulho gay. Essa palavra sempre me foi enigmática, muita vez achava ela uma boa denominadora de um super herói, Super Gay, nada mal.

Sempre penso sobre o assunto e desde muito tempo eu venho levando a mesma opinião. Por que não gay? O que há de errado? Não só em questão de sexualidade, mas em questão da maioria das individualidades de um ser. Por que não amar alguém do mesmo sexo. Não sei de onde muita gente tira tantos tabus e preconceitos. Na verdade isso é fruto de todo nosso egoísmo, de só achar certo o padrão.O padrão que nunca foi nosso, nos foi inserido por alguém, provavelmente mais burro que nós.

Admiro muito os gays e muitos outros grupos que defendem suas particularidades, mas sem ofender o próximo, se nós vivêssemos a vida como ela deveria ser vivida respeitaríamos bastante isso.Viveríamos em passividade.

O movimento gay teve uma grande manifestação em um dos meus anos favoritos, 1969, me parece que foi o ano que o homem se descobriu, o ano auge dos hippies, o ano que aconteceu Woodstock, um movimento único e mágico, que convenhamos torna-se impossível conhecer sua história e não desejar profundamente ter vivido aquilo. Mas voltando o assunto tudo que é diferente, trás uma certa resistência, mas acredito que essa resistência deve ser mantida dentro de nós, no nosso discernimento de praticar ou não uma ação e não de cercear a liberdade dos outros os impedindo de praticarem o ser eles mesmo.

Então viva os gays (atrasado) e viva a todos que sejam diferentes e que desejam viver inseridos na sociedade mesmo assim. Que com a evolução da humanidade, evoluam também nossos cérebros e que passemos a aceitar certas coisas com mais naturalidade, como na verdade devem ser.

 
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