21.8.08

meio termo


É verdade, não sou a mais bonita, te confesso que tb não passo nem perto da mais inteligente, nem da mais disposta, nem da que tem as melhores intenções o tempo todo. Não sou tão meiga, nem tão piedosa. Sou eu mesma com os meus defeitos que com certeza são bem mais numerosos que as minhas míseras qualidades, que tem hora que eu nem lembro quais são. Sozinha eu sou inteira, não metade, me sustento dos meus ideais, não da vida alheia. Sempre fiz questão de ser completa, de não precisar de ninguém para ser quem eu sou. Sou o contrário, dou preferência aos impulsos invés das decisões esperadas pela maioria. Gosto de cachorros e de fazer graça, choro por tudo, é inevitável.Tenho grandes ambições apesar do meu 1.54.Sofro por ter opinião definida sobre muita coisa, por ser crítica, por falar: ‘não é assim não’ ,ás vezes sou bem inflexível,mas sei quando dar o braço a torcer e engolir um monte de abobrinha. E não tenho pretensão de que todos me adorem, mas gostaria muito que alguém me amasse de verdade, que me defendesse, que acreditasse em mim, que simplesmente me admirasse pelo o que eu sou e tb pelo o que não sou. E que fosse mais,mais que todas pessoas que nos rodeam, bem mais que todas as opiniões mesquinhas e efêmeras, totalmente superficiais a respeito do que é amar e do que as pessoas devem ser. Só isso. :D

13.8.08

Devia ser proibido ler



A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3

11.8.08


Depois de ontem ( V for Vendetta) fiquei tremendamente assustada.Tinha decidido por motivos óbvios (rejeição) fechar a janela da realidade para as pessoas, aparentar ser o que elas queriam que eu fosse, mesmo me corroendo por dentro e chamando quase todos de idiotas. Ouvi então uma admirável frase que dizia: ‘as idéias não morrem’. Me pus a pensar se viver nessa realidade artificial e ser submissa a ela vale a pena. Será que vale mais ser mais um coadjuvante na novela da vida?

Percebi que tenho medo, medo de não viver,ou medo de me decepcionar cruelmente. Me envolver pode ser dar o meu pescoço a forca e quantas pessoas já fizeram isso e além de serem esquecidas não mudaram nada,seus legados foram meramente descartados. Mas e se eu conseguisse? Disseminaria minhas idéias e seria imortal. É um questionamento vil que me deixa confusa, o que fazer? Gritar e morrer de fome ou ficar quietinha de barriga cheia, me refiro,a força que eu tenho que gastar para enfrentar a sociedade me tornando uma louca repugnante para ela (Eu teria essa força? Até onde eu suportaria?). Por outro lado posso simplesmente me poupar de tudo isso, viverei em guerra com minha consciência de fato, mas em compensação não despenderei força nenhuma para me enquadrar aos moldes, nem sairei de casa a fim de bombardear o parlamento, as pessoas poderão até me achar simpática, eu serei mãe, tia, avó tranquilamente.

Ativista ou não eis a questão ?!

5.8.08

Se eu fosse você lia todinho !


"Esta cartilha é um documento para dividir águas no movimento estudantil brasileiro. É uma ousadia que só hereges e anormais poderiam fazer. Mas isso nós somos mesmo. Porque, o normal seria estarmos sentados em nossas salinhas, decorando fórmulas, fazendo cálculos, pensando mil formas de agradar o ilústrissimo senhor diretor e, principalmente, tendo nosso diploma e o próximo concurso como meta principal.

Contudo, anormais que somos, estamos aqui formulando, desesperada e organizadamente, alguma maneira de mudar o mundo. Um monte de gente fala que isso não vale a pena, que é perda de tempo. Mas a gente olha o mundo lá fora e é tudo tão estranho… As pessoas valem tão pouco, os objetos valem tanto… Depois, a gente olha aqui dentro e vê que é esquisito também. A produção do conhecimento virou reprodução, o caráter público da educação foi pra prateleira, a universidade esqueceu do universo e ficou com o umbigo e pobre-feio-que-mora-longe quase nunca entra, e, quando entra, quase nunca fica até o fim. Aí, acaba que a Universidade, que devia pensar e produzir conhecimento pra desenvolver e mudar lá fora, é mais um instrumento de confirmação do pensamento dominante egoísta, individualista, mercadológico e excludente.

Pior é que esse sistema social e educacional tenta de todas as formas limitar nossa capacidade de reflexão justamente para que a gente não perceba a enrrascada em que nos meteram. A extensão universitária está esvaziada nas universidades públicas e inexistente – ou maquiada – nas instituições privadas; os espaços de ação cultural, de debate filosófico, de confronto de idéias são exceção na vida acadêmica; a pesquisa e o ensino, instrumentos de libertação, transformaram-se em CTRL C + CTRL V ou em projetos empresariais, financiados por uns ricaços que, mais inteligentemente que a República Federativa do Brasil, perceberam que a Universidade demanda muita coisa boa e trataram logo de comprar pra eles. E isso tudo é pra que a gente não entenda o mundo por completo e fique que nem Chaplin em Tempos Modernos, apertando os mesmos parafusos, apertando os mesmos parafusos, apertando os mesmos parafusos, apertando os mesmos parafusos.

Como é que a gente pode ser normal se o normal é tão estranho? É tão ilógico, é tão pra-pouca-gente…

Não! Nós só podemos ficar com a anormalidade. Com a loucura dos sonhos. Com a embriaguez da esperança. Nós não vamos nos adaptar. Preferimos o lado dos excluídos, dos descamisados, das mulheres guerreiras, do povo trabalhador. Nós caminhamos com os movimentos sociais, somos contra a guerra e o capitalismo, não gostamos da Globo e muito menos do padrão de beleza e comportamento que nos impõem. Nós gostamos mesmo é dos negros e dos brancos, dos gays e dos héteros, dos homens e das mulheres, dos poetas e dos gagos, da lucidez e da loucura. Nós gostamos do diferente, da riqueza do diferente, da contradição do diferente, dos questionamentos do diferente.

Nós achamos que tudo deve ser pra todo mundo. Que o mundo, deve ser para as pessoas. Que as pessoas são o mais importante.

Por isso, nossa passagem pela Universidade não será em vão. Por isso, nós somamos nossas individualidades aos anseios coletivos. Por isso, a gente faz Movimento Estudantil. Pra juntar um monte de gente anormal como a gente e lutar para mudar a Universidade, derrotar a hegemonia do pensamento único, mudar o mundo.

Só que nós achamos que o movimento estudantil também está muito adaptado à normalidade. Muito chato, muito burocrático, muito centralizado. Egoísta, imediatista, competitivo. Tem gente que só quer debater o neoliberalismo e tem gente que só quer debater a falta de papel higiênico no banheiro. Tem gente que só quer ganhar eleição e tem gente que só quer reclamar.

Nós queremos ligar a falta de papel higiênico à política neoliberal de corte de investimentos na educação. Nós queremos participar das entidades para melhorar o movimento estudantil, pra trazer mais gente pra fazer isso com a gente.

Até porque todas essas loucuras só são possíveis e só são desejáveis se forem feitas com as pessoas participando. Por isso, movimento estudantil para nós tem que ser de massas, tem que envolver a diversidade, tem que ser leve, aberto, combativo. Tem que conquistar na vida real, no dia-a-dia de dificuldades. Mas tem que ter um norte político claro, uma posição na sociedade. Resumindo: tem que manter os pés no chão sem tirar a cabeça das nuvens e tem que ter muita, muita gente senão não representa o tanto de nossos sonhos."


Movimento Mudança

http://mudanca.soylocoporti.org.br/

é mto chato gritar pra ninguém ouvir, certas coisa não simples caprichos, mas me conformei, ser manipulado é mais fácil e confortável


2.8.08



Hoje eu vou contar uma história. A um tempo atrás eu embarquei numa viagem sozinha. Era um barco enorme e totalmente novo pra mim,nunca tinha andado de barco, não sabia que ele balançava tanto, ás vezes lá em cima,ás vezes lá embaixo, logo fiquei enjoada e no meio da viagem não via a hora de voltar pra casa. Andava sozinha com uma tristezinha nos olhos.Haviam muitas pessoas no barco, mas nenhuma parecia se importar com a outra, alguns tentavam fingir mas não conseguiam por muito tempo. Eu observava, tentava me aproximar, mas sempre com o pé atrás, conheci primeiro a tripulante C, ela era uma maravilha, se não fosse o pequeno mal de falar mal de todos os outros tripulantes, ficava vermelha, roxa contando tudo de ruim e depois três segundos virava as costas, abria um sorriso corria e abraçava os outros que ela dizia fazer tão mal. Isso me deixava confusa, por que de quem ela gostava afinal? Sai de fininho e fiquei sozinha de novo, até que duas tripulantes a N e L, chegaram pra mim dizendo que tripulante C tinha mesmo o caráter duvidoso. Começamos a conversar, éramos todas diferentes, cada uma de um lugar querendo chegar a outro lugar, mas ao mesmo tempo éramos tão iguais, completávamos e no meio de solidão juntas nunca estávamos sós. Apeguei-me a elas, vi que não tinha nada, nem ninguém no barco, só a elas. A lista de desprazeres e de confusões na viagem crescia,mas juntas conseguimos reduzir a quase nada. Eu aparecia com cicatrizes que só elas sabiam cuidar,me ensinaram o significado de muitas coisas, viraram a família que eu sempre quis ter. Mesmo as tripulantes N e L sendo bem diferentes, tipo uma era razão e a outra emoção, que nem se gostavam muito se suportaram o tempo todo por saber o quanto eu gostava de cada uma.

Mas por fim o barco atracou e eu podia continuar a viagem, mas decidi voltar pra casa pra me deitar no sofá e lamentar mais confortavelmente, deixei as tripulantes, em meio a gritos e horror, eu as abandonei, e hoje sentada no sofá eu tenho até saudade dos enjôos do balanço do barco,tenho saudade da maneira que as tripulantes meio sem querer chegaram a mim e como juntas conseguimos andar contra a corrente. Fomos felizes, mesmo infelizes juntas éramos sim felizes.

Meu coraçãozinho apertado não pára de pensar nelas, nem um minuto, me sinto um tanto responsável ainda, mesmo longe.Sou tomada por um grande peso e um grande medo, um grande peso na consciência por tê-las deixado e um grande medo de perde-las no tempo.

Levo-as na minha memória pra sempre, podem os ventos estar favoráveis ou contra as velas. Irei sempre lembrar as tripulantes que me ajudaram quando eu entrei de gaiata no navio, definitivamente amizade é um amor que nunca morre.

 
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