25.11.10

Lua/Sol


Ela olhou pra baixo, ele tinha chegado mais cedo. Tão vistoso e feliz ele subia. Ela observava com os seus olhos grandes, mas não conseguia conter o medo, se afastava. Ele queria cumprimentá-la, mas era tarde demais, ele ocupava o seu lugar e ela ocupava o que lhe coubera. Alguns dias assim, outros não. Ele tentava. Ela fugia. Ela queria, mas tinha medo, era tão instável, uns dias tão cheia outros tão vazia. Ele era constante, apesar de alguns dias mais frios, por dentro era sempre quente. Era por ela que ele cultivava seus desejos. Era com ele que ela idealizava seus planos, perdia as horas imaginando os dois enquanto analisava os apaixonados, seria possível ? Melhor não, arriscar e não levar, dói. Certas noites ela chorava. E ele? Certos dias ele queimava. Maldição, não vê que sofrer não é uma lei. Ele queria sua confiança. As ondas eram testemunhas, se moviam por ela e se aqueciam por ele. Era certo. Completavam-se então. Sim, completavam-se mesmo na impossibilidade do incompatível, dividiam o mesmo céu e o mesmo amor. Pelo certo ou pelo incerto, ele foi, ela esperou. Os céus mudaram de cor e finalmente a espera se fez justa, de dois fizeram apenas um e só.

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