11.6.08

Fulano quer me matar (para brindar as férias)

Acho que tudo começou quando ele me olhou com aqueles tortos olhos (quem entende, entende), a matemática se tornou incrivelmente mais insuportável do que ela poderia ser. Pouco a pouco em cada aula, eu me sentia atingida. Ele me golpeia com advaagas e me dava tiros com o revólveres imaginários (suas armas secretas), mas felizmente sobrevivi para poder contar, me livrei por um triz de um infarto!
E por incrível que pareça suas armas secretas não eram aquelas horríveis, se me permitem, expressões matemáticas que eu nunca conseguira resolver, eram outras, bem mais poderosas que me pegavam de jeito. Eram nada mais nada menos que suas sujas palavras que me cortavam os tímpanos e seus trocadilhos idiotas com expressões ambíguas totalmente ignorantes que não careciam sair da boca dele, meu professor.
E no meio da agressão que fulano fazia contra minha pessoa, eu refleti sobre uma questão, qual o papel dos verdadeiros professores? Conteúdo, conteúdo e conteúdo extremamente matemático? Mas onde fica a vida nisso tudo? Onde fica aquilo que está passando exatamente agora, mas pode acabar a qualquer momento?
Realmente o buraco é bem mais embaixo, vejo as lousas cheias de números e fórmulas, mas sinto falta da sabedoria que eles e que todo mundo devia compartilhar, da conversas que devíamos ter das condutas que necessitávamos melhorar. Mas isso não existe porque enquanto preenchem nossas cabeças com tudo que serve pra passar no vestibular, nos deixam totalmente vazios, vazios de vida, da alegria de viver de enxergar, de sentir,de respeitar as pessoas e entende-las, não vê-las simplesmente como meros concorrentes.
Eles normalmente são todos iguais ou bem parecidos, ficam no total meio termo (ás vezes arriscam numa aula ou noutra estimular a verdadeira sapiência), mas fulano, fulano se supera não cria, nem incentiva a criação de laços afetivos por ninguém, nem prega noções éticas. Fulano abre sua boca cheia de dentes pra falar o quanto é mesquinho e egoísta e o quanto isso é bonito, por incrível que pareça ele se orgulha, faz referências a trapaça o tempo todo e mostra que essa é a sua doutrina de vida. Esse não é o papel de um educador nem de nenhuma pessoa que esta lidando com a ‘geração da vez’ isso atrapalha e mostra como perdemos a fé na boa fé.
Enquanto fulano fala e me mata mais um pouquinho, vejo rostos sorridentes compatíveis com as suas idéias maquiavélicas e isso me mata mais ainda, vejo que com nossa passividade nos tornamos uma geração sem nenhum senso crítico, sem nenhuma noção do que é realmente importante, além de passar no nosso querido amigo vestibular!
Nos ainda 50 minutos de sua aula, fecho os olhos e peço a redenção do senhor que ele intervenha em meu nome, que me dê esperança e vida suficiente pra ver um dia eles caírem na real e perceberem que não estão lidando apenas com mentes vestibulandas, mas com carateres e personalidades em formação, que é necessário bem mais que essas formulazinhas medíocres para viver. Depois falam que nós, os alunos somos o problema, somos apenas o reflexo!

1 comentários:

- Mariana. disse...

Hanna, tipo assim. Eles sabem que agente não usará pra nada. Mas, somente no vestibular. Pra vocês não ficarem atrás dos outros, eles tem de pessar tudo isso. Agora, Se fosse feita uma reforma nas leis educacionais do país, daí sim, mudaria alguma coisa.

 
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