23.2.11

Meu Dinossauro de Estimação

Recomendaram-me pessoalmente e eu li aquela placa que dizia mantenha distancia, mas a curiosidade e a necessidade fizeram inevitável conhecer e conviver com o único dinossauro legal que eu conheço. Ele é grande, tem aqueles bracinhos pequenos pertinho do corpo e pode ser bravo, muito bravo.
A primeira vez em que a gente se encontrou ele me olhou feio aí me lembrei daquele truque que usava com os meus cachorros, o olhar. O olhar mostra quem é o dominador e o dominado, há eu ia levar essa apesar de que os olhos dele levavam vantagem em tamanho, os meus tinham um propósito e não era assustar! Sentei-me, encarei-o e esperei, em alguns momentos ele começou a demonstrar quem era de verdade, um dinossauro que padecia na brabeza por não haver uma alma se quer para oferecer algum acalento, não titubeie, essa alma caridosa havia de ser eu. E assim começou a labuta, nosso vinculo crescia com as histórias jurássicas intermináveis que ele contava, cheias de moral, moral essa extinta nos dias de hoje. Essa era sua maior revolta e arrancava urros feiosos de vez em quando. Eu queria poder defender minha geração, mas não podia, na maioria das vezes ele estava mesmo certo, não tínhamos mais valores nem mobilidade alguma, éramos uma sociedade sem objetivos, diferente dos tempos jurássicos, onde os jovens dinossauros eram engajados, obstinados e esclarecidos. Hoje não passávamos de marias moles que vivem se escondendo erroneamente atrás de redes sociais.
Por um momento ele quase me convenceu que eu era inútil, meus olhos se encheram de lágrimas, mas não, eu não. Dinos me deixou ver claramente a tênue linha que divide a coerência da loucura, provou como dois mais dois são quatro que tudo demais é sobra, inclusive o radicalismo. Talvez a luta de Dinossauros x marias moles nem tenha vencedores, sejam mesmo os dinossauros, mas ser duro demais e não reconhecer nem os pontos fortes do inimigo só deixa a luta sem graça.
E assim vai se completando a história incompleta do meu dinossauro contador de histórias jurássicas cuja meta de vida é incutir em minha cabeça que a única forma de mudar mundo é a extinção de nós marias moles.

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